The Project Gutenberg EBook of A senhora Rattazzi, by Camilo Castelo Branco

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Title: A senhora Rattazzi

Author: Camilo Castelo Branco

Release Date: September 25, 2006 [EBook #19375]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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A SENHORA RATTAZZI

NOVA EDIO




Porto: 1880--Typ. de A. J. da Silva Teixeira, Cancella Velha, 62




A SENHORA RATTAZZI

POR

CAMILLO CASTELLO BRANCO


NOVA EDIO

MAIS INCORRECTA E AUGMENTADA


LIVRARIA INTERNACIONAL
DE
ERNESTO CHARDRON, EDITOR
PORTO E BRAGA

1880




PREAMBULO

 NOVA EDIO


O assumpto aqui tratado--a brochura da snr.^a Rattazzi--tem duas
physionomias: uma para risos, outra para critica sisuda. Se uma das
faces nos avinca a fronte, a outra tem virtudes therapeuticas de
_dsopiler la rate_. Eu tentei, pela galhofa pachorrenta, esquivar-me s
phrases amargas que a segunda physionomia--a seriedade--me impunha.

Se uma dama de m lingua nos belisca, devemos imaginar que ella nos faz
cocegas; e, em vez de lhe trincarmos os dedos que nos estorcegaram a
pelle, corre-nos o dever de imitar quem soffre as cocegas--rir e
pernear; mas a mim, s vezes, succedia-me, quando fazia cocegas a
alguem, levar o meu sopapo involuntario.  o que pde acontecer a quem
faz cocegas disfaradas em belisces.

Un ami de madame, no _Jornal de Noticias_, cheio d'uma paciencia
portugueza e muito namorada com as lerdas chalaas da snr.^a Rattazzi,
acha que o zangarem-se os portuguezes beliscados por madame  _falta de
espirito_.

Assim como, no dizer da princeza de pacotilha, _il y a ventre et
ventre_, tambem ha belisces e belisces,  invejavel amigo de madame!
Uns so attritos de arminho, cariciosos, como o roar de dous botes de
rosa-ch, em dous dedos opalinos com unhas nacarinas, pelos bigodes
encalamistrados de s. exc.^a, o amigo d'ella e de Peniche; outros, so
mordentes como tenazes de caranguejo, farpadas de vibora; e, se no
deixam contuses rxas e largas como pontaps de gallegos, penetram os
filamentos nervosos e os tecidos cellulares como uma injeco
subepidermica de vitriolo. Que a injeco me seja ministrada pela
regateira que me vende os seus carapaus, ou pela princeza que me vende
os seus livros, queima-me do mesmo feitio. A cravache de Lola Montes
doa como se a vibrasse o pulso rijo de Roger de Bauvoir.

Mulher escriptora, por via de regra pouco exceptuada,  um homem por
dentro. O corao, que devia ser urna de suavissimas lagrimas,
faz-se-lhe botija de tinta; e as dces penas da alma metallisam-se-lhe
aguadas em pennas de ao. O fuso de Lucrecia e da rainha Bertha
desfez-se em canetas. Em vez de tecerem o seu bragal, urdem intrigas.
Suspiram publicamente em 8.^o portuguez, 250 paginas; e, quando no
suspiram, bufam coleras represadas, dizem que tem idas, que se querem
emancipar, muito aziumadas, naturalistas, com um grande ar de pimponas
que entraram no segredo dos processos; e, se no batem nos homens, no 
porque elles o no meream. O amigo de madame, esse, tem de apanhar do
sexo, mais hoje, mais manh.

O Dom Francisco Manoel de Mello tinha razo: _Mulheres doutoras,
authoras e compositoras_ dava-as ao diabo. _ triste cousa_, prosegue o
critico do Hospital das Letras--_que estejaes com vossa mulher na cama,
na mesa, ou na casa, e andem l pelas tendas mil barbados perguntando
por ella_.

No ha feminilidades que se respeitem desde que a mulher se masculinisa,
e, como escriptora virago, salta as fronteiras do decoro, sofraldando as
espumas das rendas at  altura da liga azul-ferrte.

Mau! comeo a ser muito serio e metaphorico. Por aqui me fecho.

N'esta edio augmentam as incorreces  proporo das paginas. Algumas
vo muito alagartadas de francezias para que sua alteza perceba pouco
que seja do pamphleto.

Se um periodo serio no destoasse d'esta brincadeira, eu lembraria aos
meus conterraneos que o repellirem patrioticamente as zombarias dos
insultadores estrangeiros lhes  mais airoso do que esse palavriado de
rimas bombasticas e fofas com que suppuram em golfadas annuaes o seu
patriotismo no _Primeiro de dezembro_.

No obstante o silencio dos vates encartados na hymnologia patriotica, a
maioria da imprensa antecipou-se-me no vigoroso desforo da justia, e
nomeadamente o snr. Urbano de Castro, um escriptor moderno, com os dons
do estylo e da graa que seduzem velhos impertinentes e glaciaes como eu
e outros infelizes da minha idade. A favor da snr.^a Rattazzi tem sahido
uns poucos periodicos faiantes, sargtas por onde tresandam os seus
fedores as fezes litterarias de Lisboa. So os orgos da ral
sarrafaal, uns madraos desencadernados que vivem na gandaia politica,
engenhando republicas carnavalescas.  n'esses periodicos de mixordias
plebas at ao asco que o snr. Theophilo Braga se esconde a escrever,
como em parede de latrina, uns desabafos pelintras de quem no acha na
imprensa sria fonticulos por onde suppurar o pus. A princeza pde
contar com este panegyrista.




A SENHORA RATTAZZI


Depois de estudar os portuguezes e as portuguezas com frequentes visitas
celebradas por _menus_ economicos e risos de ironia larga, a snr.^a
Rattazzi concebeu das suas impresses viris e masculas um livro que deu
 luz em janeiro, e denominou Portugal  vol d'oiseau. Portugais et
portugaises.

Eu, creado no velho noticiario, tendo de annunciar o producto d'uma dama
dado  luz, antes quizera, em vez d'um livro bom, annunciar um menino
robusto. Acho muito mais sympathica a feminilidade das mes pallidas,
com olheiras, emaciadas, que aconchegam dos seios exuberantes a
criancinha rosada, recem-nascida. No me commove nem alvoroa o
espectaculo d'uma authora que se remira e envaidece na brochura que deu
 luz, obra entre cinco e sete tostes--740 reis com estampilha. Por
isso, antes quero noticiar um menino robusto que um _oitavo_ compacto.

Principia a snr.^a Rattazzi por declarar com raro entono _que conta e
pinta o que viu sem deferencias pessoaes nem preoccupaes do que a seu
respeito se possa dizer ou pensar_. Bom  isso. O menospreo que a
escriptora liberalisa  opinio publica portugueza permitte  critica o
dispensar-se de grandes melindres.  vontade.

Se algum me arguir de bastante descosido no exame do livro, queira
ll-o com paciente pachorra, e ver que eu bispontei sobre os alinhavos
atrapalhados da senhora princeza. Se me acharem um pouco em mangas de
camisa, faam-me o favor de vr que a _shocking_ irlandeza nos visita de
penteador de rendas transparentes e chinelinha de chinchilla.

Calumna, apenas comea, affirmando, contra o caracter d'esta boa gente
portugueza, que D. Pedro V, e os infantes D. Luiz, D. Joo e D. Augusto
foram atacados do _typho-arsenical_--envenenados. Uns morreram. D.
Augusto ficou atarantado, mas com graa--uma timidez _non dpourvue de
charme_; e D. Luiz, esse, teve _de la chance_:--que duas vezes fra
preservado da sorte de Britannicus. Exceptuados os gremios palurdios
d'algumas boticas de provincia, ninguem hoje repete semelhantes
atoardas. Quando quizeram por odio politico enlamear a reputao
immaculada d'um duque, desembstaram-lhe o venabulo ao rosto sereno. O
aleive cahiu ento, e levantou-se agora na indiscreta obra mexeriqueira
da snr.^a Rattazzi.

Quando a morte fulminou, a curtos intervallos, na Italia, duas rainhas
da Sardenha e o duque de Genova, madame Marie de Solms, em versos por
signal muito ordinarios, insinuou que o fanatismo trvo dos padres tinha
brandido nas trevas a cruz  feio de gladio. Na Italia era o clero,
aqui foi o veneno dos Medicis. Acha que os principes no podem morrer de
morte natural; e bem pde ser que sua alteza venha a acabar de doena
reles, com pedra na bexiga, hydropica, com lombrigas, com grandes
perturbaes flatulentas no seu apparelho digestivo--uma desgraa para
as letras.

Avaliando o clero portuguez, manda lr o Crime do padre Amaro. Um
romancista habil engenhou um padre mau que afoga um filho, uma
perversidade estupida e quasi inverosimil em Portugal, onde os padres
criam os afilhados paternalmente. Eis, segundo ella, o typo da clerezia
portugueza, o _padre Amaro_. A snr.^a Rattazzi geme escandalisada sobre
a corrupo do sacerdocio, e cita o romance.

Do clero naturalmente deriva para o culto. A respeito do S. Jorge da
procisso de Corpus-Christi, a princeza espirra fagulhas de espirito
forte, d'um voltairismo sedio, com um desplante extraordinario em
mulher. No se cohibe de gracejar com o symbolismo sempre respeitavel
quando inculca, seja como fr, uma religio e uma moral--cousas
consubstanciaes. No a retm a senhoril e prudente moderao de Stal e
Sand, e sobretudo o feminil decoro de viuva duplicada, de mi e de
velha, embora os atavios faam pirraa  chronologia. Moteja das pompas
religiosas no tom das _turlupinades_ da petrolista Andr Lo, e arma 
risada com facecias d'um alumno da escla-militar que leu o Testamento
de Jean Meslier e o Citador de Lebrun.

Moteja dos _Cyrios_. Segundo ella, os portuguezes, tomando a parte pelo
todo, chamam s procisses _Cyrios_, porque levam _velas accesas_.
Muita chalaa a este respeito. Mulher irreligiosa  uma razo perdida no
vacuo da consciencia; mas a que faz praa da sua incredulidade  cousa
repugnante, tanto monta ouvil-a na sala como na taberna.

Se a snr.^a Rattazzi fosse uma escriptora seriamente critica,
ridiculisando o maior santo de Inglaterra, devia contar aos portuguezes
que Jorge foi um fornecedor de toucinho (_bacon_) do exercito romano, e
que em vez de fornecer, cosia-se com os lardos suinos como qualquer
fornecedor do exercito brazileiro do Paraguay. A justia perseguiu-o
como concussionario; Jorge safou-se, fez-se ariano, e levou d'assalto a
cadeira archiepiscopal de Athanasio. Depois, na capital do Egypto, a
execrao publica encarcerou-o afim de o processar; mas o povo,
impacientado com as delongas do processo, atirou-o ao mar. Como  que
este malandrim (pergunta Campbell na biographia de Shakspeare) chegou a
ser transformado em S. Jorge, patrono dos exercitos, da arma de
cavallaria e da ordem da Jarreteira? Campbell diria  senhora princeza:
Patricia, antes de escarnecer as crenas portuguezas, zombe das
inglezas. O santo  nosso, e Deus sabe que bestialidade grande
praticaram os lusos admittindo um santo da Gran-Bretanha na vanguarda
d'uma jolda de velhacos que lhes fizeram  industria da metropole e s
colonias d'Africa o que o tal Jorge fez ao toucinho dos soldados
romanos.

Ora, se  facto que o sujeito sizava a carne de porco das legies
romanas, esse devia ser coherentemente o santo tutelar d'Inglaterra. Eu,
porm, segundo a minha historia ecclesiastica, muito mais orthodoxa e
correcta que a de Campbell, pendo a crr que S. Jorge era um principe da
Cappadocia que soffreu martyrio, imperando Diocleciano, depois de ter
matado um certo crocodilo que queria comer a filha do rei Aja. Jorge
levou talvez em vista, n'este crocodilicidio, plagiar Perseu que matou
outra fera que queria comer Andromeda, filha do rei Cepheu. O que 
certo  que os saxonios, estes selvagens, incapazes de produzir um
santo, adoptaram o da Cappadocia. Ns  que no tinhamos necessidade do
santo, dando-se o caso de mais a mais de sermos ridiculisados por causa
d'elle no livro da snr.^a Rattazzi, princeza que de certo no vai ao
florilegio como o seu collega principe Jorge.

Sobre materia intrincada de cultos, presume que o enigma poderia ser
resolvido pelo bispo de _Visens_, Alves _Martius_. Este nome est
bastante corrompido para se pensar que o prelado de _Visens Martius_ 
um bispo mosarabe, coevo do duque de _Laf[oe]s_, com diphthongo.

Deturpar nomes de bispos e duques pouco importa;  muito peor divulgar,
cerca das realengas aspiraes d'uma duqueza benemerita de respeito,
umas chocalhices cochichadas nas salas, mas nunca escoadas pelo esgto
da imprensa sria. Allude em termos esbandalhados de actriz patusca ao
duque, marido d'essa duqueza, e attribue s barrigas das senhoras
portuguezas um exquisito predominio abdominal sobre os esposos. Esta
senhora, que tem apenas a carne indispensavel para se no confundir com
um fluido, abomina metaphoricamente os ventres grandes, as barrigas das
damas portuguezas fidalgas que nobilitam nas suas membranas os maridos e
os filhos. Pilherias de _farceuse de goguette_. Umas _buffoneries de
petit souper_,--_can-can_ de sobre-loja entre costureiras que bebem do
fino e teem namoros nas cavalharias do pao.

A snr.^a Rattazzi ri muito das superfetaes cosmeticas e oleosas do
conde de M. Valha-nos Deus! A snr.^a princeza, como objecto colorido, 
ha muitos annos uma chromo-lithographia das obras do bibliophilo Jacob.
Que Alphonse Karr me no deixe mentir.

Do duque de Saldanha repete anecdotas chinfrins que pem gargalhadas
sobre a campa do bravo caudilho a quem D. Pedro IV agradeceu a cora de
sua filha. Conta um dialogo forte que elle teve em 1851, s quatro horas
da manh, com a rainha D. Maria Pia, e que ella mostrra desejos de o
mandar espingardear. Ora, em 1851, a senhora D. Maria Pia, o Anjo, tinha
quatro annos, e desde que veio para o throno de Santa Isabel e de Santa
Carlota Joaquina apenas tem espingardeado alguns borrachos, 4 em 5. E o
duque de Saldanha--conta a princeza--apresentou-lhe a esposa no seu
palacio d'ella em Antin. Assim zomba a snr.^a Rattazzi dos seus amigos
mortos e matraqua Saldanha que a visitava, quando o _Figaro_ a
escarnecia e Pelletan lhe desenhava o perfil na Nouvelle Babylone.

Est a caracter quando, annotando um artigo espirituoso do _Pimpo_,
explica  Europa o que  o Perna de pau e a Horta das tripas
(_Jardin des tripes_). Falla muito de _fagutes_ que a incommodam, e diz
que _Vm.^{c}_  o diminutivo de _V. Exc.^a_. Investigando a
linguistica, observa que no dizemos _o_ rei, mas _el_-rei; e que o _el_
 recordao mourisca e vestigio da occupao dos arabes. Confunde o
artigo hespanhol _el_ (do latim _ille_) com o artigo arabico _al_,
prefixo a muitas palavras portuguezas. As _Therezas philosophas_ so
muito mais vulgares que as Therezas philologas. Diz que o nosso _ai
Jesus!_ tambem  musulmano, e o _se Deus quizer_ tambem  vestigio
arabico.  uma mulher das arabias, ella!

Faz rir  custa dos archeiros que tocam o tambor  chamada. A snr.^a
Rattazzi nasceu em Inglaterra onde hoje em dia se conservam usanas
ridiculas, ratices que se avantajam muito  do archeiro que rufa a
caixa. Exemplo: os dous manequins monstruosos chamados Gog e Magog que
assistem  recepo do lord-maior no salo Guil-Hall. Depois, mais
irrisorias que os archeiros, as sentinellas da Torre de Londres, chapos
de velludo emplumados, adaga  ilharga, farda escarlate acolchetando nas
costas, e as armas de Inglaterra com a teno de Henrique VIII matizadas
no peito. E que nos diz a snr.^a Rattazzi s cabelleiras Luiz XV, de
cachos empoados, com que se toucam os juizes antes de se amezendrarem
com offenbachiana parlapatice magestosa nas cadeiras da magistratura em
Westminster-Hall? E aquelle sumptuoso coche tirado por cavallos baios em
que se estada o carniceiro opulento, com os braos ns e a camisa
arremangada at s claviculas? Se a Gran-Bretanha nos no exhibisse
estas gargalhadas, teriamos de nos remediarmos com o producto da
ex-princeza Studolmire Wyse que s de per si tem a _vis insita_, a fora
ridicula latente das dynamisaes altas.

Penetra na vida intima dos portuguezes, no segredo dos seus amores
castos, amor que s os olhos exprimem. No gosta. Acha isto semsaboria,
e chama-lhe _paixo  olhadas_, para exprimir bem portuguezmente a
cousa.  _Casa Havaneza_, onde se refastelam muitos dos taes
apaixonados das olhadas, chama _clubo des bavards_. Diz que em
Portugal as meninas de doze annos tem _olhadas_ e carteiam-se.
Acrescenta que  rara uma mulher galante portugueza; mas que os homens
so, na generalidade, bonitos e bem feitos--_beaux et bien faits_. Isto
captiva a gente. Contou alguem  princeza a historia fresca de um velho
par do reino que se lambia dizendo a paixo que inspirra a uma joven
que s  beira d'elle sentia o lyrismo e as delicias do amor. A snr.^a
Rattazzi espantou-se, e do velho idiota inferiu que em Portugal todos os
velhos se lambiam d'amor.

Foi aos touros; viu os _caplhas_ portuguezes, e os _torreros_ e os
_forados_ (forcados) que ella diz assim chamarem-se, _forados_, porque
_foram_ os applausos. Est em primeira mo esta sandice. (Se o leitor
quizer corrigir a minha indelicadeza, onde est _sandice_ leia
_sandwiche_). Como successor do _conde_ de Castello Melhor no garbo e
destreza cavalleirosa de toureiro, menciona _Rebello da Silva el
Castro_. Provavelmente do historiador da Ultima corrida de touros em
Salvaterra fez um toureiro equestre no campo de Sant'Anna. Diz que, a
pedido da commisso, offerecera uma mona--_reminiscencia poetica da
idade mdia_. Achou na idade mdia as _monas_. Sua alteza acha um tanto
canibal o prazer das touradas, mas nem por isso  _moins immense_ (este
_immenso menor_ que o immenso maior,  bom). Nos theatros da _Trinidade_
e do _Principo_, desagradou-lhe o pessimo costume de _pateader_. Diz que
as obras do theatro de S. Carlos foram dirigidas por _Santo Antonio da
Cruz Sobral_. L fra ha de cuidar-se que temos um _Santo Antonio de
Lisboa_ para os milagres e outro _Santo Antonio da Cruz_ para os
theatros.

Sobre politica decifra alguns artigos bons do _Pimpo_ e guiza varias
beldroegas de sua lavra. Entra bem na questo financeira, na fiduciaria,
dos Bancos, no escandalo das loterias e do jogo. Faz um moral opusculo
em assumpto de rolta.

Tratando de jornaes, traslada e traduz annuncios aphrodisiacos do
_Diario de Noticias_, e diz que o snr. Thomaz Antunes  _moco fidalgo_.
O snr. Antunes no  _fidalgo moco_; tem a cedilha: saiba-o a Frana. Do
_Jornal da Noite_, escreve que A. A. _Texero_ de Vasconcellos noticiava
principalmente anniversarios e nascimentos, dava a lista dos numeros
mais premiados na loteria, e d'isso ia vivendo. Assim atassalha a snr.^a
Rattazzi a reputao jornalistica do mais rijo pulso athleta que teve a
arna dos gladiadores politicos--o rival de A. Rodrigues Sampaio. Nem A.
Augusto era outra cousa. Logo veremos como ella conceitua socialmente o
seu conviva e panegyrista.

Menciona como collaborador da _Correspondencia de Portugal_ o snr.
Rodrigues de _Treitas_. Se lhe chama _Tretas_ ao illustrado e honesto
republicano, merecia uma descompostura.

Tambem versa a questo cornigera dos gados, _des bestiaux_. Louva, ao
intento, um Relatorio do snr. conselheiro _Morres_ Soares. Morres? Longe
v o agouro. Desejo que o snr. Moraes Soares viva muitos annos, para nos
dar muitos relatorios sobre _bestiaux_, e mais occasies a que esta
princeza se occupe das nossas vaccas--objecto em que  ella a unica
senhora concorrente com as leiteiras saloias.

Em uma pagina util e talvez a unica proveitosa aos viajantes, informa
cerca dos hoteis. Diz que no Hotel de Lisbonne ha muitos ratos; no
Alliana persevejos; e no Gibraltar _baratos_ (no confundir preos
_baratos_ com baratas, ou carochas). Depois d'esta asseverao
impugnavel, esteia a sua affirmativa em uma passagem do _Cousin Bazilio_
onde se l que em Lisboa ha persevejos. Luxo escusado de erudio. Os
persevejos em Lisboa so d'uma tamanha evidencia fetida e mathematica
que se dispensava o testemunho do snr. _Eca de Queroz_, de _Querioz_, ou
de _Querioze_, que vem citado como Plinio para os lacros, e Livingstone
para a _Tsetse-fly_, mosca mortifera da Africa.

Espanta-se dos muitos Burnay que em Lisboa exercitam varios ramos de
industria. Acha que a Lusitania, n'este medrar de Burnay, vir a
chamar-se _Burnaisie_. Depois escreve: _Il faut mentionner, ne ft ce
que pour faire contraste, les Gallegos  cot des Burnay. Les uns
exploitent, les autres sont exploits_. Esta princeza, com quem o snr.
Ramalho trocou o seu francez parisiense, de certo ouviu dizer ao
festejado escriptor que a familia Burnay  um grupo de homens honrados e
laboriosos que no se pejam de ser defrontados com outros homens
honestos e trabalhadores embora procedam da Galliza; mas no exploram:
trabalham e colhem, quando lh'o no desfalcam, o estipendio honesto das
suas fadigas.

Tem bons chascos quando zomba dos nossos _viscondes das Ervilhas_ e _do
Esperregado_. D'estes viscondes saber sua alteza que se fazem as
_princezas do Esperregado_ e _das Ervilhas_. Se a snr.^a Rattazzi se
lembra d'arranjar um _visconde dos Tabacos_, sahido d'um estanco, esse
visconde ferido na sua honrada industria, poderia lembrar  neta de
Luciano Buonaparte que a princeza Rattazzi  bisneta d'um vendedor de
tabacos, pai de sua av, a snr.^a Blescamb, viuva d'um empregado
bancario. Mas os _tabacos_ trahiram-na, quando, enxovalhando os enormes
servios do fallecido conde de Farrobo  causa da liberdade, diz
desdenhosamente que o pai do conde tinha o monopolio dos tabacos e que
_a sua nobreza era de fabrica_.

Esteve a snr.^a Rattazzi em _Pedroncos_ e _Massa_. O leitor que j lhe
conhece o processo da orthographia geographica, entende que ella esteve
em Pedrouos e Mafra. Exhibe as vulgaridades obrigatorias, e d-nos a
noticia inedita e lisonjeira de que Byron chamou a Cintra _glorious
Eden_.

Espeta-se na historia da litteratura portugueza, lamentando que no haja
uma grammatica official. Ha dez ou doze officialmente approvadas; mas
no  isso que a snr.^a Rattazzi pretende: quer uma grammatica official,
uma cousa em que os poderes legislativo e moderador decretem
positivamente o que ha sobre o gerundio e o participio indeclinavel.
Para que diabo quereria ella uma grammatica official? Depois, estabelece
a fileira dos escriptores classicos, e manda lr as Cartas de Marianna
de _Alcofarrada_. Infausta freira! um francez atormentou-lhe o corao:
e uma irlandeza martyrisou-lhe o appellido. _Alcofarrada_! Credo!

Disseram-lhe que Affonso Henriques teve um aio, Egas Moniz, o da lenda
heroica, que era poeta. Teve ignorantissimos informadores que
confundiram o aio Egas Moniz com o trovador Egas Moniz Coelho, fabuloso
author das conhecidas trovas.

Trata dos Autos, mysterios christos posteriores s _judarias_--uma
perfeita judiaria d'esta litterata;--e conclue que as melhores peas do
theatro moderno portuguez so a _Nova Castros_ de Joo B. Gomes, e a
_Osmia_ da condessa de Vimieiro. Convm saber que o Gomes e a condessa
esto enterrados ha bons 70 annos. Tem este modernismo.

Em seguida, pe  frente do progresso dramatico Jos Freire de Serpa,
Alexandre Herculano, e mais o snr. Ennes. Esto bem postos todos tres.

Entre os oradores especifica o conde de _Thomaz_; e, como Manoel Passos
dava eloquencia a dous, fez d'elle dous oradores--um orador _Silva_, e
outro orador _Passos_. Diz que Rodrigues Sampaio  o primacial do
jornalismo litterario; no chega a attribuir-lhe algum solo. Quanto a
Almeida Garrett, escreve que era um catholico cheio de f e sem
philosophia, e por isso no fez escla nem discipulos. Idas parvoinhas
do snr. Theophilo Braga.

Conta que Alexandre Herculano viera em 1836 da emigrao que lhe
inspirra a Harpa do Crente. Que Alexandre Herculano, antes de emigrar,
estivera ao servio de D. Miguel--_qu'il avait servi d'abord_. E, no
restante, as idas do snr. Ramalho expendidas nas Farpas, mas um pouco
deturpadas. Aquelle grande homem, Herculano, segundo conta a snr.^a
Rattazzi, visitou-a e levou-lhe os seus livros. Diz ella que foi a
ultima visita que fez o eminente escriptor. Se isto  verdade, foi a
ultima e talvez a primeira asneira da sua vida.

No seu grande juizo, A. Herculano devia achal-a ridicula. Uma ingleza
ridicula equivale a dous inglezes ridiculos. Ora, A. Herculano tinha
escripto: _Dous inglezes ridiculos so incontestavelmente as duas cousas
mais ridiculas d'este mundo_. Eu creio no contundente publicista Silva
Pinto--um grande lapidario de phrases causticas, tartarisadas. Diz elle
que Alexandre Herculano no a visitou. Elle era mais austero e sensato
que o padre Lamennais e o astronomo Babinet, do _Instituto_, que no
poente da vida e na aurora da tolice lhe escreviam versos e prosas de
pieguice senil. O velho astronomo explicava-se assim, paternalmente, ha
dezoito annos:

_Sans cesse vous brillez de charmes imprvus;
Prs de vous on ne peut jamais manquer de verve;
  Car vous avez les attraits de Vnus
  Avec les talents de Minerve [1]_!

Os attractivos de Venus. Bom proveito. E, depois, esta senhora zomba dos
portuguezes velhos que _se babam d'amor!_ Pudera no! Quando nos
apparecem bellezas mythologicas, a Venus com a sobrecarga de Minerva, a
gente baba-se irreprehensivelmente.

Contra Castilho, faz-se echo das inepcias do snr. Theophilo Braga:--que
elle conhecia imperfeitamente as linguas de que _traduisait, traduisait,
traduisait_. Castilho aos vinte annos fazia versos latinos como Virgilio
e francezes como Lamartine. Accusa-o de inimigo acerbo do romantismo.
Castilho escreveu a Noite do castello e Ciumes do Bardo na afinao
ultra-romantica da Dama do Lago de W. Scott e do caudilho das balladas
romanticas em Frana.

Tagarellando contra os classicos, a boa da romantica diz que surgiram em
Coimbra os dissidentes da velha escla. Os dissidentes eram Rebello da
Silva, Mendes Leal, Latino Coelho e Lopes de Mendona. Sim, estes
innovadores sahiram de Coimbra com o estandarte da rebellio arvorado.
Ora, Rebello da Silva, como o reprovassem em latim, no voltou a
Coimbra; Mendes Leal e Latino Coelho nunca frequentaram a universidade,
e Lopes de Mendona no sei se chegou a matricular-se em mathematica.
D'este infeliz luctador, submerso em trevas quando as espancava com
vertiginosa ancia de luz, diz a ignorante que _elle consumira a maior
parte da mocidade em dissipaes_. Meu pobre amigo, tu que aos quinze
annos trocavas por po escasso os teus primeiros labores, no merecias
ser apontado como victima de tuas dissipaes.

Contra Mendes Leal, a casquilha poetisa em annos de prosa ejacula
injuriosas calumnias de plagiatos, e accusa entre os livros d'este
escriptor verdadeiramente polygrapho o Calabar, um romance em que Mendes
Leal declara que parte do seu livro  imitao. O author da Herana do
Chanceller, a meu vr, nas suas occupaes diplomaticas em Paris, no
tem tido vagar para attender s princezas vadias.

De Rebello da Silva conhece _Odio_, _Velho vra cauca_, e a Ultima
corrida de touros _reas em Salvatorra_.  um bom titulo para uma
simulcadencia muito forte, peninsular, talvez vestigio arabe. A snr.^a
Rattazzi, que assim escreve a lingua portugueza, prope-se traduzir a
Historia da Inquisio de Herculano. Em inquisio de torturas vai ella
pr a pobre lingua, que ainda assim possue uma palavra energica para
interpretes d'este quilate. Byron, encantado com a sonoridade do termo,
transmittiu-o como mimo philologico ao seu amigo Hodgson. Ella que o
fareje. Est na carta 37.^a da colleco de Thomaz Moore--bom documento
ethnologico que esqueceu ao snr. Alberto Telles no seu interessantissimo
livro Lord Byron em Portugal.

As insolencias que desembsta  cabelleira de Bulho Pato como se
explicam? Ella, prefaciando um drama que peorou com o seu francez, disse
que Alexandre Herculano escrevra um opusculo contra o imperador do
Brazil, e que o imperador, sem embargo da offensa, vindo a Portugal,
visitra Herculano. A snr.^a Rattazzi, muito admirada, perguntou, em
Paris, ao imperador que lhe contra o caso da offensa e da visita:
Visitou Herculano, Sire? E D. Pedro II respondeu com um sorriso fino:
Sim, de certo, visitei-o. Deveria eu castigar-me a mim por comprazer
com o meu despeito?

Leu isto Bulho Pato, e sahiu honrada e severamente contra a calumnia; e
vai ella agora, no livro Portugal _a vo de pssara_, explica o prefacio
da comedia dizendo que se enganou--porque lia muita cousa--attribuindo
as Farpas a Herculano; e acrescenta que o imperador no lhe emendra o
_blunder_, o equivoco desgraado, ouvindo-a sem lhe corrigir o erro. Mas
a snr.^a Rattazzi, no tal prefacio sarapanto, diz que o proprio D.
Pedro II lhe contra que elle, offendido, visitra o offensor: _Don
Pedro me l'apprit lui mme  l'htel d'Aquila_. Uma trapalhona!

Bulho Pato emendou a parvolza da snr.^a Rattazzi; e ella, em vez de se
agachar contrita na humildade das tolas conscienciosas, ergue-se nos
taces _benoiton_, e faz chalaas de _estaminet_ entre dous
_petits-verres de anisette_.

Dos meus futeis romances tambem chalaca e no anda mal;--que todos os
meus livros se adivinham do terceiro em diante: um brazileiro, um
namorado sentimental, e uma menina em convento. Cita quatro novellas, e
por casualidade nenhuma d'ellas tem _brazileiro_; porm, quanto a
namorados, so tantos que nem a senhora princeza  capaz de ter tido
mais.

No merito de _Julio Diniz_ faz os descontos que o snr. Ramalho lhe
incutiu. Conhece os _Fidalgos de casa nourisca_, e a _Morgadinka dos
Canariaes_. Tenciona fallar de Soares de _Posses_, poeta portuense, cuja
elegia do _sepulchro_, diz ella, se canta nas ruas. Exalta o snr. T.
Braga que escreveu a _Viso das tempes_, e _As tempos tades sanoras_, a
Historia do _direitor_ portuguez, e os _Tracos_ geraes da philosophia
_positivia_. No se sabe se quer dizer _Traos_ ou _Trancos_; talvez
seja _Tratos_, ou mais provavelmente _Trapos_, se no fr cousa peor.
Seja o que fr, pertence  philosophia _positivia_.

Conta que elle foi typographo em Coimbra _para pagar os estudos_. No
havia de gastar muito se pagou o que sabe. Diz que o snr. Braga 
philosopho, mathematico, astronomo, physico, chimico, biologista e
anthropologista--o que se demonstra nos _Tracos_ acima.

Consta-me que o snr. Chardron consente que este opusculo seja trasladado
a francez e hespanhol. Suspeita-se que a Allemanha e o Reino-Unido
pensam em o traduzir com uma grande sde de idas. Pois, se isto assim
, como no pde deixar de ser, bom ser que l fra se leia em
linguagem conhecida uma opinio ingenua a respeito do _escriptor moderno
mais consciencioso de Portugal_, como a princeza, baseada em
anthropologia e asss biologica, qualificou o snr. Theophilo. De si
proprio dizia elle com paspalhona philaucia no Ath[ae]neum de Londres,
_Revista do anno de 1878_:

Actualmente a philosophia positiva conta muitos admiradores em
Portugal, e os novos espiritos disciplinados por ella vo conhecendo com
grande clareza de que trabalhos este povo precisa para progredir.

N'este espirito acabam de sahir  luz os dous primeiros fasciculos d'uma
Historia Universal, que a imprensa portugueza tem considerado como _uma
renovao dos estudos historicos em Portugal_; a noo positiva da
historia e o esboo da historia dos egypcios esto a par dos (muito
_pardos_) modernos trabalhos da archeologia prehistorica e egitilogica.

 o que pensa de si o egitilogico snr. Theophilo. J lhe no basta o
elogio mutuo. O oraculo, quando os catechumenos de c o no incensam,
trata elle de salvar na Inglaterra a reputao da critica portugueza,
escrevendo que a imprensa lhe considera as farfalharias uma _renovao
dos estudos historicos em Portugal_. Ridiculo at  compaixo!

Os livros do snr. Theophilo so uma balburdia, retraos de sciencia
apanhados a dente, mal mascados, um cerebro atrapalhado como armazem de
adeleiro, golfos do blo no esmoido, cousas apocalypticas, muito
desatadas, em prosa deslavada, derreada, enxarciada de gallicismos,
cahotica, apontoado enxacco de retalhinhos apanhados  ta n'uma
canastra de apontamentos baralhados e atirados para o prlo. Toda a
farragem do snr. Braga  isto, creiam-me os Pises e a snr.^a Rattazzi.
A cabea ta-lhe a vazio, em competencia com a da sua admiradora. Todo
elle  uma bexiga de gazes maus; quando a apertam, faz-se mister, como
para o _portugaison_, apertar o citado appendice.

Diz que o snr. Luciano Cordeiro  um dramaturgo original: parece que a
originalidade do snr. Luciano Cordeiro est em no ter escripto drama
algum.

Reflexionando conspicuamente sobre a nossa deploravel instruco
publica, sahe-lhe de molde contar que ns, os portuguezes, a um
brazileiro que passa chamamos _macaca_. Que o brazileiro vai passando, e
ns dizemos: _ una macaca_.

No  tanto assim; no se lhe desfigura o sexo. Se a princeza, ao
passar, ouviu dizer: _ una macaca_, isso no era com o brazileiro.

E a proposito de _macaco_:

Tendo esta dama escripto lisonjeiras cousas da gentileza e bonito feitio
dos homens portuguezes, exceptuou caprichosamente um criado do Hotel
Mondego, o _Jos Macaque_. Diz que elle tem uma _fealdade socratica_. Eu
no affirmo que Jos Macaco seja um galan com o perfil de Bathylo de
Samos nem os tres quartos do Cupido de Corregio. Anacreonte de certo lhe
no toucaria as louras madeixas de pampanos e rosas de Teos, nem me
persuado que Sodoma ardesse por causa d'elle ou de mim. Assim mesmo, sem
algum motivo estranho  plastica, a princeza Maria Letizia, indisposta
com Jos Macaco, no lhe perpetuaria no seu livro como em um bronze de
Esopo, a fealdade. Devia de haver uma causal esthetica para injuria to
desproporcionada com as culpas arguidas a Jos Macaco. Sua alteza no o
baldeava  zombaria dos seculos porvindouros pelo delicto de lhe no
servir _mayonnaise de lagosta  la gele_, nem _mexilhes  provenal_.
Indaguei, por intermedio d'um meu amigo em Coimbra, quaes as causas
ingentes dos odios assanhados pela Discordia ignivoma, como diria
Homero, entre Macaco e Princeza. Tentaria elle como o hediondo Thersites
da Iliada arrancar com suspiros absorventes os olhos meigos da nova
Pantasilea? Trato de averiguar. Se a resposta no vier a tempo,
dar-se-ha em appendice supplementar.

Trata com amoravel equidade o snr. G. _Junqiero_. Acha-lhe bellas cousas
no seu _don Joo_, e que reala no estylo menineiro, _enfantin_. O snr.
Junqueiro, se bacorejasse este obsequio, no mettia na sua Viagem  roda
da Parvonia uma _Princeza Ratazana_, em toilette myrabolante, cheia de
pedrarias e plumas. A princeza Ratazana da fara d um jantar a lyricos
e satanicos, e canta:

_ um paiz singular
A patria dos malmequeres!
Pde-se dar um jantar
Ficando os mesmos talheres_.

Mas os convivas, a quatro libras por cabea,--o snr. Guerra,
_gratis_--pem-se nas flautas, e ella abysma-se no buraco do ponto. A
troa est impressa. Guerra Junqueiro vingou A. A. Teixeira de
Vasconcellos.

Este escriptor, prodigo de gabos e cortezias aos seus collegas, houve-se
cavalheirescamente com a princeza. Fez folhetim heraldico da sua raa
corsa, do espirito e dos livros que eu apenas conhecia de lh'os vr
citados no Dictionnaire de l'argot parisien, por Lordan Larchey, Paris,
1872. Ella  authoridade em giria. Antonio Augusto achava-lhe talento, e
ia jantar com ella. O escriptor morreu; e a snr.^a Rattazzi celebra
d'est'arte a memoria do seu panegyrista e hospede:

_Antonio-Augusto Texeiro de Vasconcellos_. O Casa nova portuguez[2].
Seria de mais chamar-lhe celebre, mas notavel por muitas distinces,
sim. A primeira pelos grossos escandalos que datam j de Coimbra, onde
estudava; depois por grandes farolices de que uns riam, e outros
choravam. Por algumas foi asperamente castigado. O que elle podia melhor
escrever eram as suas memorias; com certeza, tinha com que alvoroar a
curiosidade publica. Pensaria n'isso?  provavel que sim, mas faltou-lhe
o tempo. Como quer que fosse, essas memorias s poderiam publicar-se
depois d'elle morto; se as publicasse em vida, correria o perigo de o
espatifarem.  uma princeza a escrever d'um homem fallecido que a
inculcra litterata distincta no _Jornal da Noite_, mentindo  gente por
um excesso de cavalheirismo fidalgo que o desculpa, e mais relevante faz
resaltar a ingratido da leitora do _Casa nova_.

Crueza e indignidade que no desafinam das tradies corsas da sua
familia; mas que ser difficil encontrarem-se em uma senhora de _la
haute vie_, uma irlandeza de mais a mais, uma Wyse, fina flr fanada da
_Gentry_.

A snr.^a Maria Letizia esteve no Porto, onde viu o _lindo riacho, Rio
de Viela_ que atravessa diversas ruas; conversou com a snr.^a
_Alveolos_, ingleza gorda que, por signal, a no percebeu.
Conta-nos--digno Plutarcho--a biographia da estalajadeira do
_Francfort_, e viu a confraria dos _Pnitents rouges a descer da collina
para o rio, e parar com tochas accesas  porta d'uma casa mourisca com
vidraas coloridas, e paredes esmaltadas de adobes azues_. Que diabo de
viso! O Hoffmann no veria isto no Porto sem beber muito de 1815. Os
_penitentes vermelhos_!

Tambem esteve em _Cedeifata_ e no palacio de crystal, acompanhada _par
le savant docteur Ricardo Costa_.  admiravel como ella, n'um lance
d'olhos, apanhou as linhas intellectuaes e scientificas do senhor doutor
Ricardo Costa! Quantas pessoas andam duzias de annos  volta d'um sabio
sem o penetrar!

Na carta XXIII, esta mirifica epistolographa mette a riso a nossa
pronuncia nacional, os sons nasaes, as desinencias em _os_ e em _a_,
que nos ficaram da lingua _galoga_, e se pronunciam _ouenche_, _anhon_
com um accento violento de nariz que s bem pde imitar-se pegando
n'este appendice com a mo toda para bem proferir o _portugaison_. Sim,
elle  preciso pegar no appendice para bem pronunciar o _portugaison_.

Vence-me o tedio; mas no me punge o remorso de ter lido 415 paginas.
Tenho, porm, vergonha de que um ou outro portuguez, desnacionalisado
por despeitos pessoaes e politicos, se compraza de vr os seus
conterraneos enxovalhados pela snr.^a Rattazzi, cuja maledicencia 
notoriamente europa. O seu renome de desbragada sem-ceremonia ganhou-o
em Italia e Paris a ponto de lhe imputarem as brochuras crapulosas do
infame bandido Vsinier, um corcunda petroleiro que espingardearam em
71. Elle publicra na Belgica o Mariage d'une espagnole com as iniciaes
_M. de S._, em que muitos decifraram _Marie de Solms_ (Les membres de la
commune, par _Paul Dehon_, pag. 241). Outros davam quinho na torpeza a
_Sch[oe]lcher_ (Histoire de la revolution de 1870-71, por _Claretie_).
Era uma calumnia que a no pungiu grandemente; um dia, porm, o
despejado amanuense de E. Sue fez confisso publica e vaidosa de ter
vendido esses farrapos de baixo alcouce aos editores belgas.

A senhora princeza, se em vez de _puffs_ usasse calas e voltasse a
Portugal, de certo acharia quem lhe dsse umas. Tem por si o arnez da
fragilidade, posto que as senhoras um pouco durazias, e por isso menos
quebradias, devem ater-se menos  irresponsabilidade das qualidades
vidrentas. Em todo o caso, a gente admira-se, porque esta especie de
extravagancia no  vulgar, e s pde perdoar-se ao talento que a snr.^a
Rattazi no professa. Tenha paciencia.  uma patarata, _a ragged woman_,
com uns quindins de _mauvais aloi_, trescalando a _boudoir-Lenclos_, com
umas guinadas de _verve_, barrufadas de _champagne frapp_. De resto, 
uma princeza que nos faz lembrar, quanto aos seus diplomas principescos,
a rainha Jacintha de negra memoria, e quanto aos seus morgadios
realengos no nos parece mais donataria que a illustre senhora da ilha
das Gallinhas. Em concluso: o seu livro no  cano de escorrencias
muito nauseabundas, nem  canal de noticias uteis, tirante a dos hoteis
infamados de persevejos; no  pois cano, nem canal; mas  canudo,
porque custa sete tostes; e--v de calo--como troa e bexiga,  caro.




Notas:

[1] La verit sur M. Rattazzi, par _l'Inconnu_.

[2] Quem houver lido as Memorias de Casa nova, um patife no genero
Lovelace peorado, tem comprehendido a crueza da comparao.





End of Project Gutenberg's A senhora Rattazzi, by Camilo Castelo Branco

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freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
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particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including checks, online payments and credit card donations.
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Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

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